"O estudo do Professor Sousa Lobo sobre o ranking das universidades portuguesas em termos de produção científica é importante porque chama a atenção do público em geral para uma das principais missões da Universidade, porventura uma das menos faladas – a investigação como via de criação de conhecimento, um dos factores-chave do desenvolvimento.
O resultado do estudo ao destacar a posição alcançada pela UA é importante porque ratifica aquilo que tem vindo a ser uma das grandes opções desta Universidade – a aposta na investigação científica.
O envolvimento na investigação científica processou-se ao longo do tempo, em diversas fases, articuladas entre si e perseguindo objectivos próprios.
A primeira grande aposta, enquanto universidade jovem, foi a qualificação do seu corpo docente e de investigação em áreas-chave e em centros de elevado mérito científico. Em seguida criaram-se condições internas para a produção científica, através da aposta em infra-estruturas (equipamentos e instalações) e de logísticas de funcionamento. Estavam, então, criadas condições para que a UA pudesse avançar para patamares superiores com a participação em redes internacionais que possibilitaram candidaturas a Projectos e Programas de investigação ganhadores, os quais permitiram o financiamento externo e, consequentemente, o desenvolvimento cada vez mais acelerado das suas competências em áreas-chave (é o caso das Ciências e Engenharias dos Materiais, das Telecomunicações, das Ciências e Tecnologias da Saúde).
A par dos financiamentos externos, a Universidade de Aveiro apostou também no auto-financiamento, canalizando verbas próprias para investigação em novas áreas do conhecimento, consolidando e estimulando áreas já estabelecidas (bolsas de estudo para doutoramento e pós-doutoramento) e criando novos impulsos à investigação seleccionando projectos que previam a atracção de investigadores estrangeiros de elevado mérito para integrar equipas na UA.
Para que todo este processo fosse viável foi crucial a criação de uma estrutura de Gestão, em 1994, o Instituto de Investigação, o qual coordena toda essa função da Universidade e é presidido por um Vice-Reitor.
Os resultados alcançados na investigação reflectem-se em outros domínios de intervenção da Universidade: o impacte directo dos projectos que desenvolve no meio académico (publicações científicas, patentes, …), no tecido social e empresarial; e o impacte indirecto através da criação de novas competências para responder às necessidades do país, quer seja na área do ensino e formação, quer seja na cooperação com a sociedade.
Devemos realçar que o desenvolvimento de investigação conducente à inovação é um processo que requer a valorização dos resultados obtidos e a procura da sua aplicabilidade, que se reflecte tanto na criação de novos produtos, serviços ou métodos, como na promoção de novas oportunidades de negócio, que pode promover o emprendedorismo. Estas são práticas que a Universidade de Aveiro tem vindo a incentivar e implementar, estando igualmente alerta para as necessidades do tecido empresarial, com quem tem estabelecido diferentes modalidades de parcerias e protocolos de colaboração com vista ao incremento da I&D.
A repercussão do investimento na investigação ao nível das ofertas de formação da UA é particularmente saliente na formação pós-graduada, cursos de Especialização, de Mestrado, de Doutoramento e de Pós-doutoramento. A par da diversificação da oferta de formação, tem havido um crescimento significativo do número de alunos matriculados (quadruplicou nos últimos dez anos, atingindo actualmente 20% do total).
Na formação graduada um impacte da investigação poderá ser apreciado pela participação significativa dos alunos dos últimos anos em equipas de investigação. Paralelamente, as experiências e competências científicas adquiridas com a criação de novo conhecimento ao nível da investigação potenciam a renovação e inovação no ensino, facto que associado aos bons resultados da avaliação externa dos cursos da UA, nos indicam que as apostas estratégicas que temos vindo a fazer são correctas e devem ser continuadas.
A investigação conduzida, sendo uma prioridade da UA, não é preocupação única. Existe uma preocupação com o desenvolvimento equilibrado de todas as suas funções e com os diferentes corpos da academia, criando-lhes boas condições de trabalho, elevada motivação e gosto pela pertença institucional."
Reitora da Universidade de Aveiro,Professora Doutora Helena Nazaré